Saber se o empréstimo é passivo circulante ou não circulante é a primeira dúvida de quem começa a organizar as contas de um pequeno negócio ou estuda contabilidade.
A resposta direta surpreende muita gente: o mesmo empréstimo pode aparecer nos dois grupos ao mesmo tempo. O que decide isso não é o tipo de empréstimo, e sim o prazo de vencimento de cada parcela.
As parcelas que vencem em até doze meses entram no passivo circulante, o grupo de curto prazo. As que vencem depois disso ficam no passivo não circulante, o de longo prazo.
Essa divisão por prazo segue o pronunciamento técnico apresentação das demonstrações contábeis do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 26 R1) e a estrutura do balanço patrimonial fixada pela Lei das Sociedades por Ações.
Neste texto você vai ver um exemplo numérico simples para refazer com a própria dívida.
O que este artigo aborda:
- Empréstimo é passivo circulante ou não circulante?
- A resposta curta depende do prazo de cada parcela
- Por que o mesmo empréstimo aparece nos dois grupos
- O que é passivo circulante e não circulante no balanço?
- O que é passivo circulante (curto prazo)
- O que é passivo não circulante (longo prazo)
- Onde os dois aparecem no balanço patrimonial
- Como classificar um empréstimo pelo prazo de vencimento?
- A regra dos doze meses a partir da data do balanço
- Parcelas que vencem no próximo ano
- Saldo que fica para depois de um ano
- Como lançar um empréstimo na contabilidade na prática?
- Exemplo numérico simples passo a passo
- A reclassificação anual: a dívida que migra de grupo
- Juros e encargos: onde entram
- O que a norma contábil CPC 26 diz sobre essa classificação?
- O critério oficial de curto e longo prazo
- Por que a divisão por prazo importa para a análise
- Quais os erros mais comuns ao classificar empréstimos?
- Jogar tudo no longo prazo e esquecer a reclassificação
- Confundir passivo com ativo
- Ignorar juros a apropriar
- Perguntas frequentes sobre empréstimo no passivo
- Empréstimo é passivo ou ativo?
- Onde o empréstimo entra no balanço patrimonial?
- Como identificar a parte de curto e a de longo prazo do empréstimo?
- O que acontece com o empréstimo de longo prazo a cada ano?
- Financiamento segue a mesma regra de classificação do empréstimo?
Empréstimo é passivo circulante ou não circulante?
O empréstimo pode ser passivo circulante e não circulante ao mesmo tempo, conforme o prazo de cada parcela. A natureza da dívida não muda a resposta.
Pense numa dívida de dois anos pagos em parcelas mensais. As parcelas dos próximos doze meses são curto prazo e entram no passivo circulante. As parcelas do segundo ano são longo prazo e entram no passivo não circulante.
Por isso a classificação do empréstimo no balanço quase sempre divide a dívida em duas partes.
A resposta curta depende do prazo de cada parcela
A pergunta sobre se o empréstimo é passivo circulante ou não circulante tem uma regra única: olhe a data de vencimento de cada parcela. Vence em até um ano contado da data do balanço, é curto prazo. Vence depois, é longo prazo.
Esse raciocínio funciona para qualquer obrigação, não só empréstimos. Uma conta de fornecedor para pagar em trinta dias é passivo circulante. Um financiamento de máquina para quitar em cinco anos é, em grande parte, passivo não circulante.
O critério é sempre o tempo até o pagamento.
Por que o mesmo empréstimo aparece nos dois grupos
Um empréstimo costuma ser pago em várias parcelas, e essas parcelas se espalham no tempo. Como parte vence cedo e parte vence tarde, a mesma dívida ocupa os dois grupos do passivo.
Separar a dívida de curto e longo prazo não é capricho da contabilidade. Quem lê o balanço precisa saber quanto a empresa vai desembolsar no próximo ano para entender se ela tem fôlego de caixa. Jogar tudo num grupo só esconderia essa informação de quem analisa as contas.
O que é passivo circulante e não circulante no balanço?
Passivo é tudo que a empresa ou a pessoa deve a terceiros. O balanço patrimonial separa essas dívidas em dois grupos pelo prazo: passivo circulante (curto prazo) e passivo não circulante (longo prazo).
O balanço patrimonial é o retrato das contas numa data específica, em geral no último dia do exercício social. De um lado ele mostra os bens e direitos (o ativo). Do outro, mostra as obrigações (o passivo) e o patrimônio líquido.
A ordem de apresentação obedece à estrutura do balanço patrimonial definida nos artigos 178 a 180 da Lei 6.404 de 1976.
O que é passivo circulante (curto prazo)
Passivo circulante reúne as obrigações que vencem em até doze meses a partir da data do balanço. É a fila de pagamentos mais próxima.
Entram aqui as contas a pagar de fornecedores, salários e encargos do mês, impostos do período e a parcela do empréstimo que cai dentro do próximo ano.
O empréstimo no passivo circulante é exatamente a fatia da dívida com vencimento curto. Quanto maior esse grupo, mais dinheiro a empresa precisa ter em caixa no curto prazo.
O que é passivo não circulante (longo prazo)
Passivo não circulante reúne as obrigações que vencem depois de doze meses. É a parte da dívida que ainda vai demorar para ser paga.
O empréstimo no passivo não circulante é o saldo das parcelas que vencem só no ano seguinte em diante. Financiamentos longos, debêntures e provisões de longo prazo também moram nesse grupo. Como o pagamento está distante, essas obrigações pressionam menos o caixa imediato do negócio.
Onde os dois aparecem no balanço patrimonial
No balanço, o passivo fica do lado direito, ou na parte de baixo quando o formato é vertical. Primeiro vem o passivo circulante, depois o passivo não circulante e, por último, o patrimônio líquido.
Essa sequência segue a ordem de exigibilidade, ou seja, do que vence antes para o que vence depois.
A Comissão de Valores Mobiliários reforça essa apresentação no classificação de obrigações no balanço, em linha com a norma internacional IAS 1, do IASB.
Por isso o empréstimo no balanço patrimonial aparece nos dois blocos, cada parte no grupo do seu prazo.
Como classificar um empréstimo pelo prazo de vencimento?
Para classificar, separe as parcelas em duas pilhas: as que vencem em até doze meses e as que vencem depois. A primeira pilha é passivo circulante, a segunda é passivo não circulante.
A conta começa sempre na data do balanço, não na data em que o empréstimo foi contratado. Esse detalhe é onde muita gente se perde, porque o calendário usado é o do fechamento, e ele muda a cada ano.
A regra dos doze meses a partir da data do balanço
A linha que separa curto e longo prazo são doze meses contados do dia do balanço. Tudo que vence dentro dessa janela é circulante.
Imagine um balanço fechado em trinta e um de dezembro. As parcelas que vencem de janeiro a dezembro do ano seguinte são curto prazo. As que vencem de janeiro do ano subsequente em diante são longo prazo.
Saber se o empréstimo é passivo circulante ou não circulante começa por marcar essa data de corte.
Parcelas que vencem no próximo ano
As parcelas com vencimento dentro dos próximos doze meses formam o empréstimo no passivo circulante. Some o valor delas e você tem a parte de curto prazo.
Se a dívida é paga em prestações mensais iguais, essa conta fica direta: doze parcelas compõem o curto prazo. Some também os juros que já correram e ainda não foram pagos, porque eles vencem junto. Esse total é o que entra na linha de empréstimos do passivo circulante.
Saldo que fica para depois de um ano
O que sobra depois de separar as doze parcelas seguintes é o saldo de longo prazo, registrado no passivo não circulante. É a dívida que ainda não chegou na sua janela de pagamento.
Em um empréstimo de três anos, por exemplo, dois terços das parcelas costumam começar no longo prazo. Esse saldo não some: ele apenas espera o tempo passar para, aos poucos, virar curto prazo. A divisão entre dívida de curto e longo prazo é sempre uma fotografia da data do balanço.
Como lançar um empréstimo na contabilidade na prática?
Na prática, lançar um empréstimo significa registrar a entrada do dinheiro no caixa e o nascimento da dívida no passivo, e depois dividir essa dívida pelo prazo.
O passo final é separar a parte circulante da não circulante.
Quando o dinheiro entra, o caixa (um ativo) aumenta e a obrigação (um passivo) aparece no mesmo valor. Saber onde lançar o empréstimo depois disso é só uma questão de olhar o vencimento de cada parcela.
Exemplo numérico simples passo a passo
Veja um caso com valores redondos. Uma empresa pega um empréstimo de trinta mil reais para pagar em trinta parcelas mensais de mil reais, sem contar juros para simplificar.
Na data do balanço, conte as parcelas: as doze que vencem no próximo ano somam doze mil reais e vão para o passivo circulante. As dezoito parcelas restantes somam dezoito mil reais e vão para o passivo não circulante.
O mesmo empréstimo de trinta mil reais fica registrado em duas linhas, doze mil de curto prazo e dezoito mil de longo prazo. Refaça essa conta com a sua própria dívida e o resultado segue a mesma lógica.
A reclassificação anual: a dívida que migra de grupo
A cada fechamento de balanço, parte da dívida de longo prazo passa para o curto prazo. Esse movimento se chama reclassificação, e ele acontece sozinho com o tempo.
No exemplo anterior, no balanço seguinte mais doze parcelas terão entrado na janela dos doze meses. Então doze mil reais saem do passivo não circulante e entram no passivo circulante, sem que ninguém pegue um centavo a mais de empréstimo. Quem esquece esse ajuste deixa o curto prazo menor do que ele realmente é.
Juros e encargos: onde entram
Os juros seguem a mesma régua de prazo da dívida principal. Os juros a pagar dentro de doze meses ficam no passivo circulante; os que vencem depois, no não circulante.
Os juros que ainda vão correr no futuro costumam ser registrados como juros a apropriar, uma conta redutora que ajusta o valor da dívida ao longo do tempo.
Encargos de contrato, como taxas, entram junto da parcela a que pertencem. O importante é não somar juros futuros no saldo de hoje como se já fossem devidos.
O que a norma contábil CPC 26 diz sobre essa classificação?
O CPC 26 (R1) determina que a empresa separe ativos e passivos entre circulante e não circulante usando o prazo de doze meses como linha de corte.
A norma trata da apresentação das demonstrações contábeis no Brasil.
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis é o órgão que edita as regras de contabilidade seguidas no país, e o CPC 26 é plenamente convergente com a IAS 1, a norma internacional de apresentação de demonstrações.
Ou seja, a divisão por prazo não é uma escolha da empresa, e sim uma exigência técnica.
O critério oficial de curto e longo prazo
Pela norma, um passivo é circulante quando deve ser liquidado em até doze meses após a data do balanço, ou dentro do ciclo operacional normal da empresa.
Fora disso, é não circulante.
Esse critério vale para qualquer obrigação, e o empréstimo segue a mesma régua. A Comissão de Valores Mobiliários, que fiscaliza as companhias de capital aberto, cobra essa mesma separação nas demonstrações que recebe. Por isso saber se o empréstimo é passivo circulante ou não circulante é, no fundo, aplicar um critério único de prazo.
Por que a divisão por prazo importa para a análise
A separação por prazo permite calcular se a empresa consegue pagar o que deve no curto prazo com o que tem disponível. É a base de indicadores de liquidez muito usados por bancos e investidores.
Quando o passivo circulante cresce demais frente ao caixa e às contas a receber de curto prazo, acende um sinal de alerta sobre fôlego financeiro. Misturar curto e longo prazo apagaria esse alerta.
Definir se o empréstimo é passivo circulante ou não circulante é o primeiro passo dessa leitura, e a classificação do empréstimo no balanço serve para quem decide dar crédito ou investir no negócio.
Quais os erros mais comuns ao classificar empréstimos?
Os erros mais comuns são três: jogar toda a dívida no longo prazo, confundir passivo com ativo e ignorar os juros. Todos distorcem o balanço e enganam quem analisa as contas.
A boa notícia é que esses tropeços têm causa conhecida e correção simples. Conhecê-los de antemão evita refazer o balanço inteiro mais tarde.
Jogar tudo no longo prazo e esquecer a reclassificação
O erro mais frequente é registrar o empréstimo inteiro no passivo não circulante e nunca mexer mais. Isso deixa o curto prazo artificialmente baixo.
Sem a reclassificação anual, as parcelas que já entraram na janela dos doze meses continuam, no papel, como longo prazo. O balanço passa a sugerir que a empresa deve pouco no curto prazo, quando na verdade tem pagamentos próximos. Revisar a separação a cada fechamento corrige o problema.
Confundir passivo com ativo
Outro tropeço é registrar o dinheiro recebido como receita ou esquecer que o empréstimo é uma obrigação, não um ganho. Empréstimo não é faturamento.
Quando o dinheiro entra, o caixa aumenta (ativo), mas nasce uma dívida de igual valor (passivo). O patrimônio da empresa não cresce com um empréstimo, porque o que entrou terá de ser devolvido. Tratar a entrada como lucro infla o resultado e cria um retrato falso da saúde financeira.
Ignorar juros a apropriar
O terceiro erro é lançar só o valor principal e deixar os juros de fora, ou então somar todos os juros futuros como se já fossem devidos hoje.
Os dois extremos distorcem a dívida.
Os juros já incorridos e ainda não pagos entram no passivo, separados por prazo. Os juros futuros ficam como juros a apropriar e só viram despesa conforme o tempo passa. Acertar esse ponto deixa o saldo da dívida fiel ao que de fato se deve em cada data.
Perguntas frequentes sobre empréstimo no passivo
Reunimos abaixo as dúvidas mais comuns sobre como registrar empréstimos no balanço, com respostas diretas baseadas nas normas contábeis brasileiras.
Empréstimo é passivo ou ativo?
Empréstimo é passivo, porque representa uma obrigação a pagar. O dinheiro recebido aumenta o caixa (um ativo), mas em troca nasce uma dívida de mesmo valor no passivo. Por isso o patrimônio da empresa não cresce só por causa de um empréstimo.
Onde o empréstimo entra no balanço patrimonial?
O empréstimo entra no passivo, dividido entre circulante e não circulante. A parte que vence em até doze meses fica no passivo circulante, e o saldo restante fica no passivo não circulante. É comum o mesmo empréstimo aparecer nas duas linhas do balanço patrimonial.
Como identificar a parte de curto e a de longo prazo do empréstimo?
Olhe o vencimento de cada parcela contado da data do balanço. Some as parcelas que vencem nos próximos doze meses: esse total é o curto prazo. O que vencer depois é o longo prazo.
Não esqueça de incluir os juros já corridos e ainda não pagos.
O que acontece com o empréstimo de longo prazo a cada ano?
A cada fechamento, parte da dívida de longo prazo migra para o curto prazo. As parcelas que entraram na janela dos próximos doze meses saem do passivo não circulante e passam para o circulante. Esse ajuste se chama reclassificação e acontece sem novo empréstimo.
Financiamento segue a mesma regra de classificação do empréstimo?
Sim, o financiamento segue a mesma régua de prazo do empréstimo: parcelas de até doze meses no circulante, o resto no não circulante.
A diferença prática é que o financiamento costuma ter prazo mais longo e vir atrelado a um bem, então tende a concentrar mais saldo no passivo não circulante.
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