Ideias e Finanças

Saber o que é finanças empresariais é entender o conjunto de práticas que organizam o dinheiro que entra, o dinheiro que sai e o quanto sobra de verdade num negócio.

É o primeiro passo para descobrir se a sua loja, o seu salão ou a sua barraca de lanche dá lucro, mesmo que você nunca tenha estudado o assunto.

Muita gente que toca um negócio pequeno, é MEI ou trabalha por conta própria mistura o caixa da empresa com o dinheiro de casa.

No fim do mês fica a dúvida: o negócio deu lucro ou só girou dinheiro? Este texto explica o que é finanças empresariais em linguagem do dia a dia, parte da dor real de misturar as contas e mostra o primeiro passo concreto para organizar as finanças do negócio.

O que este artigo aborda:

Empreendedora de avental usa laptop e maquininha de cartão para controlar as finanças de um pequeno café
Empreendedora de avental usa laptop e maquininha de cartão para controlar as finanças de um pequeno café
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O que são finanças empresariais, em palavras simples?

Finanças empresariais são o jeito de cuidar do dinheiro do negócio de forma separada da sua vida pessoal. É controlar quanto entra, quanto sai e quanto sobra.

Na prática, o que é finanças empresariais se resume a responder três perguntas: de onde vem o dinheiro, para onde ele vai e o que resta no fim.

Quem responde essas perguntas com clareza sabe se pode comprar mais mercadoria, contratar alguém ou apenas segurar os gastos por enquanto.

A diferença entre o dinheiro da empresa e o dinheiro da sua casa

O dinheiro da empresa não é o seu salário. Ele é o combustível que mantém o negócio girando.

Imagine uma barraca de lanche. O dinheiro que entra das vendas precisa cobrir o pão, a carne, o gás, a embalagem e o troco do dia seguinte.

Se o dono tira esse valor para pagar a conta de luz de casa, a barraca fica sem capital de giro, que é o dinheiro que circula no caixa para pagar as contas do mês.

No dia seguinte, falta para repor o estoque.

Separar as duas coisas é o alicerce de tudo. O dinheiro da empresa fica na empresa; o dono retira dali um valor combinado para viver, e não o caixa inteiro.

Por que isso vale até para MEI e negócio pequeno

Mesmo faturando pouco, o MEI ganha ao enxergar o negócio como uma caixa separada. Organização não é privilégio de empresa grande.

O Microempreendedor Individual foi criado pela Lei Complementar 128, de 2008, justamente para formalizar quem trabalha por conta própria. A partir daí, o pequeno negócio passou a ter CNPJ, obrigações e a chance de acessar crédito. As regras dessa formalização estão reunidas no Portal do Empreendedor, mantido pelo Governo Federal.

Controlar as finanças da empresa é o que sustenta essa formalização no dia a dia.

Qual a diferença entre finanças empresariais e finanças pessoais?

Finanças pessoais cuidam do orçamento da sua casa; finanças empresariais cuidam do orçamento do negócio. São dois bolsos que nunca deveriam se confundir.

A diferença mais importante está no objetivo. O dinheiro pessoal paga aluguel, comida e lazer da família. O dinheiro do negócio compra estoque, paga fornecedor, cobre imposto e sustenta o crescimento.

Misturar os dois esconde a verdade sobre o lucro.

O que muda quando o negócio tem CNPJ

Ter CNPJ significa que o negócio existe como Pessoa Jurídica, separada de você, Pessoa Física. São dois documentos, duas realidades.

O CPF é a sua identidade como cidadão; o CNPJ é a identidade da empresa.

Quando o negócio se formaliza pelo Simples Nacional, ele passa a recolher impostos próprios, como o DAS do MEI, declarado à Receita Federal, e a ter um caixa que não se confunde com o seu bolso.

Segundo o portal conta bancária do MEI do governo federal, boa administração começa por separar o patrimônio pessoal do patrimônio do negócio, mesmo quando abrir conta jurídica não é obrigatório.

O erro mais comum: misturar as duas contas

O erro que mais quebra negócio pequeno é usar a mesma conta para tudo. Fica impossível saber o que é lucro e o que é salário.

Pense numa cabeleireira autônoma que recebe pelo aplicativo do banco pessoal. No mesmo lugar caem o pagamento das clientes, o Pix da irmã e a fatura do cartão da casa. No fim do mês, o saldo não conta a história do salão: conta a história da vida inteira dela.

Sem separar, ela nunca sabe se o salão se paga.

Quais são as áreas básicas das finanças de um negócio pequeno?

As finanças de um negócio pequeno giram em torno de três áreas: o que entra e sai, o que sobra e o que precisa ficar guardado.

Dominar essas três já resolve a maior parte da bagunça.

Não é preciso curso de economia para cuidar delas. É preciso constância. Quem anota todo dia enxerga padrões que quem confia na memória nunca percebe.

Controle do que entra e do que sai (fluxo de caixa)

Fluxo de caixa é o registro de todo dinheiro que entra e sai do negócio, dia após dia. É a espinha dorsal do controle financeiro empresarial.

Funciona como um caderno de duas colunas. De um lado, as entradas: vendas à vista, vendas a prazo, um empréstimo que caiu. Do outro, as saídas: fornecedor, aluguel, imposto, conta de luz.

A diferença entre as duas colunas é o saldo, e é ele que mostra se o negócio tem fôlego para a semana seguinte.

Quanto sobra de verdade no fim do mês (lucro real)

Lucro real é o que sobra depois de pagar absolutamente tudo, inclusive o salário do dono. Não confunda com o dinheiro que passou pela conta.

Um negócio pode receber cinco mil reais no mês e mesmo assim não ter lucro nenhum, se gastou cinco mil reais para funcionar. Faturamento é o quanto entrou; lucro é o quanto restou. A gestão financeira do negócio existe para tornar essa diferença visível todo mês, sem susto.

Reservar dinheiro para impostos e imprevistos

Toda empresa precisa guardar uma parte do que ganha para o que ainda vai chegar. Imposto e imprevisto não avisam a hora.

O MEI, por exemplo, paga o DAS todo mês, um valor fixo que reúne os tributos da formalização. Além disso, geladeira queima, cliente atrasa, estoque estraga. Separar um percentual de cada venda para um caixa de reserva evita que um tropeço vire dívida.

Uma reserva de três a seis meses de custos fixos dá tranquilidade real.

Como fazer o controle de fluxo de caixa num negócio pequeno?

O controle de fluxo de caixa se faz anotando toda entrada e toda saída no mesmo lugar, todos os dias. Simples assim, e é justamente a constância que dá trabalho.

O segredo não está na ferramenta, e sim no hábito. Uma caderneta de mercado bem preenchida vale mais que uma planilha bonita e vazia.

O que registrar: entradas, saídas e saldo do dia

Registre três informações por dia: quanto entrou, quanto saiu e com quanto o negócio terminou. Esse trio conta tudo.

O Banco Central orienta começar exatamente assim, anotando receitas e despesas até enxergar para onde o dinheiro vai. Veja o passo simples:

  1. Anote o saldo com que o negócio começou o dia.
  2. Some tudo que entrou, das vendas ao troco recebido.
  3. Subtraia tudo que saiu, do fornecedor à conta de água.
  4. O número final é o saldo do dia, ponto de partida do dia seguinte.

Esse método está detalhado no caderno de educação financeira do Banco Central, útil também para o orçamento do negócio.

Exemplo prático: o caixa de uma barraca de lanche

Uma barraca de lanche mostra bem como o fluxo de caixa funciona no chão da rua. É dinheiro miúdo, muita rotatividade e pouca margem.

Suponha que a barraca começou o dia com cem reais de troco. Ao longo da noite vendeu trezentos reais em lanches, gastou cento e vinte reais repondo pão e carne e pagou vinte reais de gás. Entrou trezentos, saiu cento e quarenta, e a barraca fechou com duzentos e sessenta reais.

Desses, uma parte é reposição, outra é reserva, e só o restante é lucro do dono.

Com que frequência revisar as contas

Negócio de giro rápido pede olhar diário; negócio mais lento aceita fechamento semanal. O importante é ter uma rotina fixa.

Um comércio com movimento todo dia, como padaria ou lanchonete, precisa fechar o caixa diariamente. Já um prestador de serviço que recebe por projeto pode revisar uma vez por semana. O que não existe é deixar para olhar só quando o dinheiro acaba, porque aí já é tarde.

Como começar a organizar as finanças do seu negócio hoje?

Para começar hoje, separe a conta do negócio da conta pessoal e passe a anotar cada movimento. Dá para dar o primeiro passo sem gastar nada.

Organizar as contas da empresa não exige sistema caro nem contador de imediato. Exige decisão e um caderno. O resto vem com o hábito.

O primeiro passo: separar a conta pessoal da conta do negócio

O primeiro passo, sempre, é abrir um lugar só para o dinheiro do negócio. Pode ser uma conta digital gratuita.

Muitos bancos digitais oferecem conta para pessoa jurídica sem tarifa, e o MEI pode até usar uma segunda conta pessoal só para o negócio, desde que não misture nada nela.

O ponto não é o tipo de conta, e sim ter uma fronteira clara: dinheiro que entra do negócio fica ali, dinheiro pessoal fica em outro lugar.

Anotar tudo, mesmo numa caderneta ou planilha simples

Anote toda venda e todo gasto, mesmo os pequenos. O cafezinho do fornecedor também sai do caixa.

Não precisa de aplicativo pago nem de planilha complicada. Uma caderneta de capa dura, uma planilha eletrônica gratuita ou um aplicativo simples de controle de gastos resolvem. O que faz diferença é registrar na hora, antes de esquecer.

Fim de semana sem anotação vira buraco que ninguém reconstrói depois.

Definir um pró-labore (o salário do dono)

Pró-labore é o salário que o dono tira do negócio, um valor fixo e combinado. Ele impede que o caixa vire uma torneira aberta.

Sem pró-labore, o dono tira dinheiro conforme a necessidade de casa, e o negócio nunca sabe quanto custa manter o próprio dono. Ao definir, por exemplo, dois mil reais por mês de retirada, você trata a si mesmo como uma despesa fixa. O que sobra depois disso é lucro de verdade, livre para reinvestir.

Por que organizar as finanças da empresa faz diferença no dia a dia?

Organizar as finanças da empresa transforma decisão em conta, e não em palpite. Você passa a saber, com número na mão, o que pode e o que não pode.

No fundo, o que é finanças empresariais senão essa clareza para decidir? Segundo material do SEBRAE sobre controle de fluxo de caixa, boa parte dos pequenos negócios que fecham nos primeiros anos tropeça na falta de controle financeiro, não na falta de clientes.

Quem enxerga os números decide melhor e sobrevive mais.

Saber a hora certa de investir ou segurar gastos

Com as contas na mão, você sabe quando tem folga para investir e quando é hora de frear. A decisão deixa de ser no escuro.

Se o fluxo de caixa mostra saldo positivo por três meses seguidos, talvez seja o momento de comprar aquela máquina que aumenta a produção. Se mostra aperto do vermelho, o recado é segurar. O controle financeiro empresarial é o que traduz sensação em fato.

Conseguir crédito com mais facilidade

Negócio organizado consegue crédito melhor e mais barato. O banco confia em quem mostra números claros.

Quando você separa as contas e mantém o fluxo de caixa em dia, consegue provar quanto o negócio fatura e quanto sobra. Isso vira argumento na hora de pedir um empréstimo ou um limite maior. Dono que só tem a conta pessoal bagunçada quase sempre paga juros mais altos por não conseguir comprovar nada.

Previsibilidade e tranquilidade no fim do mês

Finanças organizadas devolvem uma coisa difícil de medir: sono tranquilo. Você para de ser surpreendido pelas próprias contas.

Saber que a reserva cobre o imposto do mês e que o pró-labore já está separado tira o peso do improviso.

A previsibilidade não deixa o negócio rico da noite para o dia, mas evita a corrida atrás de dinheiro que consome tempo e saúde de quem empreende.

Quando uma caderneta basta e quando chamar o contador?

Uma caderneta ou planilha basta para o controle do dia a dia; o contador entra quando surgem obrigações fiscais e decisões maiores. Uma coisa não substitui a outra.

Aqui vale ser honesto sobre o que é finanças empresariais na prática, ao contrário dos guias que empurram software caro para todo mundo. Um MEI com movimento simples toca o próprio fluxo de caixa por anos sem sistema nenhum. Mas há um ponto de virada que pede ajuda profissional.

O que você resolve sozinho

Sozinho, com disciplina, você cuida do essencial. Fluxo de caixa, separação de contas e pró-labore são tarefas do próprio dono.

Registrar entradas e saídas, fechar o caixa, definir a própria retirada e montar uma reserva não exigem contador. Exigem constância. A maioria dos negócios pequenos vive bem com esse controle caseiro por bastante tempo, desde que ele seja feito de verdade, todo dia.

Quando o contador passa a ser necessário

O contador vira necessidade quando o negócio cresce, contrata gente ou muda de regime. Aí o risco de errar sozinho fica alto.

Se você pensa em sair do MEI para virar microempresa na Junta Comercial, contratar o primeiro funcionário ou passar a emitir muitas Notas Fiscais, o acompanhamento contábil deixa de ser luxo.

Quem ajuda quem ainda não pode pagar um contador é o SEBRAE, com orientação gratuita e cursos para pequenos negócios, um bom primeiro apoio antes de contratar alguém.

Perguntas frequentes sobre finanças empresariais

Reunimos as dúvidas mais comuns de quem está começando a organizar o dinheiro do negócio, com respostas diretas baseadas em orientações do SEBRAE, do Banco Central e do governo federal.

O que são finanças empresariais e para que servem?

Finanças empresariais são as práticas de controlar o dinheiro que entra, sai e sobra num negócio. Servem para mostrar se a empresa dá lucro de verdade, quando dá para investir e quanto o dono pode retirar sem comprometer o caixa.

MEI precisa cuidar das finanças empresariais?

Sim. Mesmo faturando pouco, o MEI ganha ao separar o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal e anotar entradas e saídas. Isso ajuda a pagar o DAS em dia, comprovar renda e evitar que a bagunça financeira comprometa a formalização.

Como separar o dinheiro da empresa do dinheiro pessoal?

Abra uma conta só para o negócio e passe todas as movimentações dele por ali. Defina um pró-labore, o salário fixo do dono, e retire apenas esse valor. O resto do caixa fica na empresa para estoque, imposto e reserva.

Qual a diferença entre faturamento e lucro?

Faturamento é todo o dinheiro que entrou com as vendas. Lucro é o que sobra depois de pagar tudo, inclusive o pró-labore do dono. Um negócio pode faturar bastante e ainda assim ter lucro baixo se os custos forem altos.

Preciso de um contador para organizar as finanças do negócio?

No começo, não. Fluxo de caixa, separação de contas e pró-labore você faz sozinho, com caderneta ou planilha. O contador passa a ser necessário quando o negócio cresce, contrata funcionários ou muda de regime tributário.

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