Pirâmide financeira versus Marketing multinível

Pirâmide financeira versus Marketing multinível

Recentemente escrevi aqui no blog um texto breve sobre a Telexfree e as vantagens financeiras de se aplicar no negócio. Também demos uma breve introdução sobre o conceito de marketing multinível – MMN e pirâmide financeira.

Claramente, o texto ficou pobre quanto a conteúdo – e teve um erro grotesco de ortografia – mas o objetivo era apenas mostrar que não existe investimento legal que tenha baixo risco e grandes retornos.

É possível notar ainda que muitas pessoas não sabem diferenciar o que é o MMN – que é um negócio legalizado – e do que é pirâmide financeira – que é ilegal. Nesse texto não pretendo falar das altas taxas de retorno que este ou aquele empreendimento gera, mas explicar detalhadamente e de maneira bem clara o que são cada uma das situações e dar exemplos de empresas que trabalham com MMN e de fatos drásticos derivados da pirâmide financeira.

Comecemos, pois com o MMN.

Descomplicando o marketing multinível

O marketing multinível, aquele que é legalizado e não tem por finalidade lhe enganar, trabalha com o recrutamento de pessoas para vender, divulgar ou consumir um determinado produto. Além de ganhar com a venda, divulgação ou consumo dos produtos, as pessoas também podem selecionar outras pessoas para entrar no negócio, ganhando um percentual sobre estas pessoas. De maneira sucinta, é um canal de vendas diretas baseado no networking.

As empresas que trabalham seriamente com o MMN possuem, normalmente, mais de 70% de seu faturamento proveniente da venda de produtos e o restante proveniente das taxas cobradas dos interessados para entrarem no esquema. Um exemplo de empresa que trabalha com o marketing multinível é a Polishop. Esta empresa possui uma gama de produtos conhecidos no mercado e recruta pessoas para representarem a marca. Essas pessoas pagam um valor para entrar no negócio e ganham com a venda dos produtos. Elas também ganham um percentual das vendas das pessoas que entram por sua indicação.

Outro exemplo de negócio proveniente do marketing multinível são algumas empresas de cosméticos, onde a empresa recruta representantes que recrutam vendedores. Os vendedores ganham, os representantes ganham e a empresa ganha. Avon, Natura, Mary Kay, Yes cosméticos entre outras utilizam este tipo de canal de marketing.

Esse é o negócio legalizado, que não tem por finalidade enganar as pessoas, não promete lucros exorbitantes e fáceis de ganhar.

Agora vamos falar da pirâmide financeira e seus negócios ilícitos.

Compreendendo o que é pirâmide financeira

Um empreendimento é denominado como pirâmide financeira quando sua principal dependência se concentra no recrutamento de outras pessoas. É um esquema insustentável, caracterizado como fraude e muitas vezes mascarado sob o sistema de MMN. O que torna o sistema sustentável (normalmente por um período não maior que 3 anos) é o recrutamento constante de novos participantes.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a pirâmide financeira é um crime contra a economia popular, pois propõe a oferta de ganhos altos e rápidos, o pagamento de comissões excessivas, acima das receitas advindas de vendas de bens reais e a não sustentabilidade do modelo de negócio desenvolvido pela organização. De acordo com a Lei nº 1.521/51 negócios baseados em pirâmide financeira são crimes, havendo punição com reclusão de 6 meses a 2 anos.

Normalmente o golpe é caracterizado pelo pagamento de um valor estipulado para que seja possível fazer parte do esquema, tendo a promessa de retornos exponenciais. Nesse tipo de negócio, o idealizador e as primeiras pessoas que entram no esquema são as reais beneficiadas, sendo as ultimas a arcarem com o prejuízo.

O maior mal causado pelo esquema de pirâmide financeira está no fato de que, com o vislumbre de altos ganhos com o menor esforço possível, muitas pessoas acabam entrando no jogo e deixando suas atividades formais (como o próprio emprego) para entrar. Com isso o índice de desemprego aumenta, assim como a sonegação fiscal.

E o problema não acaba aqui. Quando o esquema quebra, os últimos a entrarem na “roubada” acabam entrando em dificuldade financeira, levando a altos índices de inadimplência.

Onde está o problema?

O problema começa com a falta de fiscalização. Cabe aos órgãos responsáveis fazer a fiscalização das empresas para avaliar se estas se enquadram na prática de pirâmide financeira. Se tal fiscalização ocorressem menos empresas praticariam tal atividade.

Outro lado da história está nas pessoas que entram no esquema. O excesso de ganância e a falta de conhecimento levam as mesmas a entrarem nesse tipo de atividade. Sendo assim, esse é o mal da demanda, pois se não existissem interessados não haveria empresas ofertando o esquema.

Um pouco de interesse em conhecer a empresa antes de entrar no jogo é um bom começo. Pesquisar na internet, buscar informações no Reclame Aqui ou no PROCON e verifique se a empresa possui algum histórico negativo. As redes sociais também são uma ótima fonte de informação nessas horas. Bom senso também é uma boa, pois dinheiro não cai do céu e altos ganhos sem nenhum risco ainda não foram criados pelo mercado.

Educação Financeira pode ajudar

Normalmente um motivador para as pessoas entrarem nesse esquema está em três pontos fortes:

  • Necessidade de ganhos rápidos;
  • Na busca de bons investimentos;
  • Desespero por conta do desemprego.

A última situação é basicamente uma questão de ansiedade, e a busca de informação sobre o tipo de negócio é um fator decisivo. Como comentado acima, existem negócios lícitos que se utilizam do MMN para desenvolver seus canais de venda. É uma questão de pesquisar e investir no seu próprio negócio.

Já a primeira e a segunda situação estão ligadas ao conhecimento de produtos de investimentos. Saber onde por seu dinheiro na busca de bons resultados – e de forma legal – é um ótimo sinal de “contas em dia”. Mas o segredo está em procurar ajuda com quem entende do assunto. Não existe somente poupança como produto de investimento, mas todo investimento tem o seu risco. A decisão de assumi-lo ou não é toda sua.

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