Gastos com delivery crescem mais de 94% durante a pandemia

Gastos com delivery crescem mais de 94% durante a pandemia

A pandemia causada pelo novo coronavírus causou uma série de perdas financeiras em empresas de todos os tipos e setores. É verdade que alguns segmentos foram atingidos mais do que outros (o setor automotivo perdeu 3 em cada 4 vendas que fez em maio de 2019 se comparado com o mesmo período deste ano), mas, no geral, todos foram afetados pela situação.

Entretanto, um segmento específico que parece ter prosperado com a quarentena foi o de vendas por delivery. De acordo com uma pesquisa feita pela Mobills, o setor registrou um aumento de 94% nas suas vendas entre janeiro e maio deste ano, se comparamos com o mesmo período de 2019. Para chegar a esse dado, a Mobills avaliou os dados de mais de 160 mil usuários do seu próprio aplicativo e notou esse aumento considerável nos gastos com compras via delivery.

Vale mencionar que a Mobills é uma startup de gestão de finanças pessoais e, por isso, pôde notar a mudança nos gastos pessoais com base no comportamento dos seus próprios usuários. E uma base de 160 mil usuários é uma base estatisticamente grande o suficiente para ter insights reais e fazer uma projeção nacional com base nisso.

No entanto, os ganhos não foram todos estáveis. Por exemplo, em março (que foi o primeiro mês da pandemia), a Mobills registrou uma queda no número de pedidos de delivery. A redução foi de 16,98% se comparado com o mês de fevereiro, que tem menos dias para completar. Uma das razões para isso, segundo a própria startup, foi o medo e a incerteza financeira em relação a pandemia. Vale lembrar que em março foi quando as coisas realmente estouraram e muitas pessoas ficaram desempregadas ou receosas se seriam demitidas.

Além disso, havia o medo de que os pedidos via delivery pudessem contaminar as pessoas em casa, mas já se sabe que o risco de contaminação via delivery é baixo.

Depois disso, em abril, maio e junho, o crescimento foi estável. Em abril, foi um aumento de 60,67% em relação a março. Em maio, um crescimento de 39,58%. Números que são impressionantes.

De acordo com a análise da Mobills, a causa para esse crescimento pode ser dividida em dois principais motivos. O primeiro deles é que o delivery se tornou a melhor maneira para fazer compras de comidas, remédios e outros itens sem furar a quarentena. Ou seja: quem ficou em casa, tinha acesso a esses itens via aplicativos, o que foi muito útil para diminuir o nível de contágio.

Em segundo lugar, aos poucos as pessoas foram percebendo como poderiam investir mais em delivery uma vez que seus gastos com outras coisas diminuíram. Por exemplo, se a pessoa não estava mais pagando gasolina, estacionamento ou outro tipo de transporte para ir trabalhar, então sobrava um X por mês para direcionar a uma pizza ou duas no mês. Se ela não estava mais pagando R$40,00 no ingresso de cinema, poderia pedir um lanche para assistir um filme na Netflix.

Além dos dados gerais divulgados pela Mobills, a empresa também soltou algumas notas específicas sobre os comportamentos dos aplicativos em si. Um dos destaques foi o Rappi, que teve o maior aumento no seu tíquete médio. Para quem não sabe, o tíquete médio é uma métrica que mede o valor médio de cada pedido dentro de um negócio.

No caso dos restaurantes Rappi (além de outros serviços oferecidos pelo app, como farmácia, supermercado e compras em geral), o aumento foi de 92,4% se comparado a janeiro. Na época, o tíquete médio era de R$50,51 e, agora, o valor médio foi de R$97,20. A razão óbvia para isso foi o fato de que mais gente começou a fazer compras de mercado, que normalmente são mais caras. Além disso, compras de remédios também apresentam tíquete médio maior.

Já o iFood teve um tíquete médio estável no começo do ano (ficando ao redor dos R$35,00), com o valor aumento para R$42,00 em maio, um aumento de 22,3% em relação ao começo do ano. Vale lembrar que, apesar de oferecer serviço de farmácia e supermercado, o iFood não é tão conhecido por isso nos olhos do público ainda, o que talvez justifique a diferença de valores. O Uber Eats, no entanto, manteve o seu tíquete médio de R$36,00 durante todo o período da pandemia.

Isso mostra que o fato de oferecer mais serviços e a mais tempo, o Rappi conseguiu atrair boa parte do público que começou a comprar nos supermercados e farmácia pela Internet.

Como o aplicativo recebe por comissão com base em seus pedidos, isso deve ter gerado um faturamento significativamente maior do que no mesmo período do ano passado.

E aí, você sente que passou por uma mudança como consumidor nessa pandemia? Começou a pedir mais em aplicativos de delivery? Conte pra gente nos comentários abaixo!

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